Olha quem está na caldeira! II
Nesta semana um evento na Ford do Brasil em Camaçari foi regado a café desde as primeiras horas do dia.
Uma empresa Americana chamada Ticona Polymers montou um showroom para apresentar à Ford um polímero altamente resistente que pode substituir até mesmo o metal em muitas aplicações na indústria automotiva e em outros setores industriais como aviação, industria naval além de outras infinitas aplicações, segundo me informou o Narhari, um indiano que vive nos Estados Unidos e era ali, o reponsável pelo Marketing da Ticona Polymers.
Um grande evento com muito café, é muito melhor quando está cheio de amantes de café.
Ideologias à parte, o amor do povo americano pelo café me me anima. Muito interessante passar um dia num lugar onde a cada minuto chegam pessoas interessadas em saber sobre o café que está tomando e sobre o profissional que ali os está preparando. Ver como valorizam o barista e o café sobretudo, é tão estimulante quanto esta bebida.
Impressionante também como adoram o café brasileiro. Muitos que já haviam escutado falar sobre os cafés de especiais de Piatã ficavam loucos, chamando uns aos outros para beber aquele café, quando descobriam que o café que bebiam naquele momento era originário de tal região.
Os coffee lovers como se auto denominavam ali aqueles americanos, cercavam a estação ou vinham a todo instante pedir um capuccino ou um espresso, e por ali ficavam, apreciando a performance dos baristas as embalagens e aromas que saíma dela, e nos fuzilando com perguntas que tinhamos todo prazer em responder.
Quatro baristas, duas La Spaziale Special e muito café. Motivo para muita conversa entre apreciadores e baristas e entre baristas e baristas principalmente foi o que não faltou.
Em frente à caldeira estávamos eu, o André do Salvador Café, a Pricila e o Nei, barista que eu ainda não conhecia e que tem muito "jogo de cintura" para eventos, habilidoso.
Estrutura comum para eventos, água mineral em galão de 20 litros, bancada em "L" de madeira providenciada pela Ticona (que por sinal estava bem alta, 110mm), comprimento de 160mm na parte maior do "L" e 110mm na parte menor. Largura de 550mm um pouco incomoda para um trabalho saudável.
Inclusive, acho interessante mandar aqui um toque:
O trabalho em eventos é muito bacana, leva o barista para um outro desafio e lhe possibilita uma liberdade que talvez não encontre na cafeteria em que trabalha, além da possibilidade que ele pode ter de interferir muitas vezes na estruturação. Havendo antecedencia e liberdade para isto, o barista pode verificar itens como acomodações para o trabalho, opinando nas questões que poderam influenciar na sua performance, como por exemplo, a altura da bancada, recursos para o caso de se estar trabalhando com galões de água mineral e acontecer uma entrada de ar, posicionamento da bancada em relação ao ar condicionado, acesso e outros assuntos. Afinal de contas, num evento quanto mais se puder minimizar a necesidade de um improviso, melhor!
Portanto, estejamos sempre atentos, antendaos e bem relacionados para poder garantir a possibilidade de opinar na estrutura de um evento em que se vá participar. Muitos contratantes costumam pedir esta opinião para fazer o melhor possível para o seu evento.
Existem alguns padrões para uma bancada que ajudarão muito, caso você tenha abertura e conhecimento para orientar o contratante do evento.
Normalmente se utiliza uma máquina de dois grupos - o que não será uma regra - que tem um comprimento em torno de 700mm, profundidade em torno de 550mm a 600mm, além de um moinho e um knok boxmise en place e a preparação dos cafés, confecção do latte art - que n os eventos é uma atração muito desejada, e outros detalhes. A altura ideal fica entre 900mm a 950mm. Assim se garante uma boa performance, saudável e fluente. E vale também frisar que um bom espaço atras da bancada ajuda a acomodar melhor estoque de insumos, cooler, lixeira e evita encontrões entre baristas o que com certeza evita acidentes com pitchers quentes e desorganização. A instalação elétrica é um assunto de suma importância para a realização do evento. Verificar voltagem, a potência do aparelho e a corrente ( para determinar a corrente em que se vai trabalhar, considera-se 70% da potência da máquina), verificar a bitola da fiação (extensão) em relação à corrente elértica. Segurança é fundamental também, pois estamos trabalhando ali com alta temperatura (água quente) , energia elétrica, e outros elementos que requerem bastante cuidado. (caixa para borras), que normalmente é colocado ao lado da máquina. Estes têm uma largura entre 20mm e 30mm, o que pediria neste caso no mínomo, uma bancada com cerca de 830mm de comprimento e 600mm de profundidade. No entanto, é imprescindível um espaço complementar na bancada para a exposição de produtos, organização de insumos (açucar, adoçante, caldas) e um espaço confortável para o
A empresa que me contratou, neste caso, não estava muito atenta a alguns desses detalhes que creio, poderiam ter sido resolvidos se houvesse uma prévia análise. Mas não foram muitos os problemas e conseguimos (nós, baristas) com criatividade e bom senso solucionar a maioria deles na hora.
Evento transcorrendo, eu o André e a Pricila dividíamos as funções e revesávamos os postos. Enquanto uma mandava nos shots, outro vaporizava o leite e o outro ia preparando os capuccinos, e o Nei, sempre muito atento, assumiu o apoio total, mandadno muito bem nas reposições e tudo o mais que era necessário.
Equipe engajada e funcionando muito bem, não pude deixar de prestar a atenção em uma coisa. À frente de uma das caldeiras o André rodava o leite maravilhosamente bem! Impressionante o dominio que tem este barista calibrando a vaporização de acordo com a gigantesca variação de pressão da caldeira e no meio do turbilhão que é a movimentação frenética do ritmo de trabalho num evento daquele porte.
Além de estar muito bem familiarizado com essas variações e mandando cremas perfeitas não deixa a desejar quando vai para a xícara apresentar o seu pour free latte art.
O André é barista no Salvador café, um quiosque aconchegante no segundo piso do Salvador shopping. Querendo conferir, lá você o encontrará extraindo espressos, misturando café., leite e crema nos seus capuccinos tradicionais e decorados com rosettas and hearts.
Percebemos facilmente o amor do André pelo café e pela profissão. Pensa em competir novamente (esteve comigo no primeiro Norte-Nordeste de baristas em 2008), não sabe se estará lá neste ano. Mas tem muita consciência sobre a importância da técnica apurada e da necessidade de conhecimento sobre a nossa razão de existir, o café.
Tem muito interesse nos assuntos que circulam o café. Maravilhado, fala sobre a oportunidade que teve de visitar uma das fazendas que produzem o café Astro em São Paulo. Teve acesso à plantação, eqiuipamentos de beneficiamento, de classificação pode ver de perto um colorímetro em ação. Achei muito bacana o que me disse depois de descrever a sua visita à fazenda:
Todo barista deveria ter essa oportunidade, assim a gente entende melhor o café com o qual nós trabalhamos e trabalhamos com mais emoção e carinho.
Não deixe de ir conferir o trabalho do André no Salvador Café.
O evento acabou por volta das 19h depois de muitos espressos e cappucinos consumidos pelos coffee lovers americanos. O lugar esteve o tempo todo cheio de pessoas que adoram café.
Isso trouxe muito prazer para mim. Satisfeito com o dia e com a equipe. Quero agradecer a todos pelo show que demos.
Parabéns pelo seu trabalho, André!
Um ristretto por favor!
Se quiserem falar sobre o assunto, criticar, concordar ou discordar, comentem ou escrevam para o 9bar.br@gmail.com
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